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Dr. Eduardo Pereira e Dr. Luciano Pereira

Proteja-se contra as lesões

Posted janeiro 5th, 2012 by Dr. Eduardo Pereira with No Comments

“Respeite os alertas que o corpo dá; ele se comunica através da dor”

Quanto mais os problemas surgem, mais se buscam novas soluções. Foi assim que a área de ortopedia ganhou um impulso extraordinário nos últimos 30 anos. “Hoje todo mundo faz esporte. Com isso, aumentaram muito as ocorrências de lesões, o que acabou estimulando o avanço nas técnicas de diagnóstico e tratamento”, diz o ortopedista Eduardo Pereira, especializado em medicina esportiva. “A ortopedia, cujas opções se restringiam a gesso, tração e repouso, sofreu uma evolução enorme, chegando a realizar cirurgias minimamente invasivas, como as artroscopias, feitas através de furinhos, em que a recuperação é bem mais fácil e rápida.”
Um dos aspectos fundamentais nesse contexto, a seu ver, é a maior compreensão de como funciona o corpo e a tendência a adotar uma medicina preventiva não só na questão dos esportes, como em posturas e movimentos incorretos que causam desgastes. O ponto de partida é a observação das posturas cotidianas: “O corpo é todo interligado, é preciso ver a pessoa no geral – como pisa, pois os pés são a base de apoio, como anda, como corre ou fica parada, como a cabeça está apoiada em cima do pescoço, o alinhamento dos ombros. É muito comum, por exemplo, ficar com a cabeça afundada e os ombros anteriorizados, ‘enrolados’, o que silenciosamente acarreta conseqüências danosas.”Ele ressalta que, no modo de vida atual, as pessoas passam horas sentadas em frente ao computador, andam pouco e fazem cada vez menos trabalhos braçais, perdendo massa muscular. Junte a isso a tensão do dia-a-dia e tem-se um bom tempero para as dores. “Ficar muito tempo sentado é o que mais ocasiona dor nas costas – o grande vilão dos nossos dias. É a pior posição para a coluna, porque a sustentação fica toda na região lombar”, adverte, informando que a maneira de sentar é determinante.

Foram feitos vários estudos de ergonomia, visando em especial os usuários de computador. Entre os cuidados, recomenda-se manter um apoio na região lombar para descansar a musculatura e não dobrar as pernas para trás inclinando o corpo para a frente. Um suporte para os pés ajuda a ficar com uma angulação quadril/joelho acima de 90º, evitando forçar a coluna. É importante ainda regular a altura da cadeira, para ficar face a face com o monitor, e manter os braços lineares ao teclado, nunca digitando com as mãos tortas e os dedos em garra.

Um costume terrível, segundo o médico, é falar ao telefone segurando o aparelho com o ombro. “Você está gerando uma compressão, apertando o seu disco e pinçando o nervo”, alerta. Da mesma forma, é ruim para a coluna cervical sentar com os ombros desalinhados, projetar a cabeça para a frente, ficar falando com o pescoço virado. Procure ficar olho a olho com a pessoa e manter a cabeça bem apoiada sobre o corpo. Ao carregar peso, sempre flexione os joelhos e o quadril. Outros inconvenientes: o excesso de gordura, que sobrecarrega a coluna e as articulações, e o fumo, pois a nicotina tem efeito deletério na estrutura dos ossos e dos músculos e interfere na microcirculação.

A respiração também influi, e muito, nos processos dolorosos. “Você já percebeu como sua respiração é rápida quando está nervoso?”, indaga o doutor Eduardo. “A caixa torácica é cheia de músculos interligados. Quando respiramos de forma ansiosa, superficialmente, essa caixa vai inflando e tensionando os músculos, o que provoca dores nessa região. De vez em quando, dê uma respirada profunda, puxando o ar pelo nariz e soltando-o depois pela boca bem devagar. Além de acalmar, isso previne dores.”

“Virou uma febre fazer esportes, correr maratonas, participar de triathlon”, constata o ortopedista. “Mas convém lembrar que o exagero é prejudicial e que a orientação e o preparo físico são fundamentais. Muita gente corre de modo errado – alguns têm uma alteração anatômica em que o calcanhar desaba -, usando tênis não apropriado, sem amortecedor, e, principalmente, sem estar com a musculatura alongada e fortalecida. Conseqüência: vai sobrecarregando o osso até que ele entra em fadiga e trinca. É a chamada fratura de stress.”

Lesões no ombro – outra queixa comum dos desportistas – estão relacionadas com o movimento de levantar o braço e decorrem da “síndrome do impacto”, conforme esclarece. Elas ocorrem quando a estrutura muscular, por fatores anatômicos e pela tendência de ficar com o ombro anteriorizado, se choca constantemente com o teto ósseo do ombro, gerando uma inflamação. O espaço rotatório vai se reduzindo e a dor acaba se manifestando em atividades esportivas ou mesmo em circunstâncias triviais, como numa manobra forçada no carro. Para se precaver, o melhor é fazer exercícios específicos, com o cotovelo junto ao corpo. No caso do joelho, a rótula, que funciona como uma roldana, é sede freqüente de problemas, como a chamada ‘dor de cinema’, que aparece quando se fica sentado muito tempo com a perna flexionada. Os distúrbios derivam de alterações de conformação, jeito de pisar, desequilíbrio e encurtamento das musculaturas nessa região, excesso ou erro de treinamento. O uso de palmilha pode ajudar, e convém evitar exercícios repetitivos como o step, que forçam a rótula.

Para se proteger de dores e lesões, ele recomenda o mesmo princípio para todas as regiões do corpo: boa postura, alongamento, para ter flexibilidade e fazer os movimentos sem forçar a anatomia, e fortalecimento muscular, o que garante uma boa sustentação. “A pessoa, quando nasce, não tem vícios de postura. A coluna tem as curvaturas normais – inclinação no pescoço, um pouco de cifose na parte torácica e de lordose mais abaixo -, que servem para amortecer os impactos. São as tensões musculares que vão prejudicando os reflexos naturais e criando desequilíbrios, causando dor de cabeça, dor nas costas, artrose e lesões.”

É muito útil, no entender do médico, ter uma boa noção da estrutura da coluna. “Imagine as vértebras como se fossem uma pilha de tijolos”, ilustra. “Claro que os tijolos de baixo – vértebras L4, L5 e região do sacro -, sofrem impacto maior. Para exercer a função primordial de sustentação do corpo e poder proteger os nervos que saem da região lombar e da região cervical, a coluna precisa contar com as musculaturas posteriores e abdominais fortalecidas. A maioria dos problemas está relacionada ao encurtamento da musculatura ou à perda de massa muscular que advém com o passar dos anos.”

Faça do alongamento uma rotina diária, como a de escovar os dentes – este é o seu conselho básico. Mas faça com critério, sem ir além do próprio limite. Todo exercício deve ter sua intensidade aumentada gradativamente. Comentando que há vários livros que ensinam técnicas simples, ele sugere um alongamento interessante para fazer à noite: deitar e colocar as pernas na parede, o que possibilita reverter o excesso de líquido que se acumula nas pernas durante o dia.

Antes de qualquer esporte, recomenda um leve aquecimento da parte aeróbica e o alongamento da musculatura – no início e no final da atividade. Para dosar os desafios, nada como o bom senso, tendo em mente que o exagero é um dos maiores responsáveis pelas lesões. “Respeite os alertas que o corpo dá; ele se comunica através da dor”, avisa. “E quando se machucar lembre-se: muitas vezes o próprio corpo tem capacidade de se regenerar, desde que a gente cumpra o tempo necessário para a cicatrização.”

Finalmente, ele salienta que a avaliação médica é importante tanto para o indivíduo saber quais são suas condições, fragilidades e facilidades para cada atividade quanto para detectar as causas de eventuais problemas e direcionar o tipo de reabilitação apropriada. Às vezes, pode ser interessante fazer exercícios na água, por exemplo, porque isso permite fortalecer a musculatura sem impacto. Cada caso deve ser analisado individualmente, pois há inúmeras variáveis e diferentes modalidades de fisioterapia. “O ideal é buscar sempre a orientação de um profissional especializado, para saber qual a mais indicada e aprender a técnica correta dos movimentos”, reitera. “Procure também ampliar o conhecimento sobre os mecanismos corporais e suas implicações. Quanto mais a pessoa entender como funcionam as coisas, mais aprenderá a lidar com o corpo e, com certeza, menos se machucará.

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